Devido às compras notáveis de grandes jogadores e técnicos vindos de diversos países, a influência do futebol chinês é visível em todo o mundo. Movimentando o mercado internacional através das transações que os times chineses realizam com equipes de outros países, o futebol da China se caracteriza por ser composto por times bilionários que pagam salários extremamente elevados aos contratados, pois o mercado chinês é livre de impostos.

Esse investimento maciço no ramo dos esportes, ao ser direcionado de modo planejado por uma iniciativa do governo, impulsionou, por muito tempo, a economia nacional para crescer ainda mais, pois, como já é sabido, durante o século XXI, a China apresentou um crescimento econômico de dois dígitos por um tempo considerável, o que levou a grandes elogios e reconhecimentos por todo o mundo.

 

futebol chinês

 

Pensando em “quem está por trás” do crescimento relativamente recente e inédito do futebol chinês, pode-se responsabilizar tanto o governo do país, como seu empresariado, isto é, tanto o setor público como o privado. Os 16 times da Super Liga Chinesa, da primeira divisão, são controlados por empresários bilionários aliados ao presidente Xi Jinping, voltados, juntos, a fortalecer o futebol e gerar uma grande fonte de riqueza nacional que deve, segundo suas previsões, atingir 1% do PIB após determinado tempo. Em troca, os bilionários ganham do Estado incentivos fiscais, concessões e, no caso das empreiteiras, áreas físicas para construção. Abaixo você entenderá melhor como funcionam tais acordos, como corroboram para o crescimento do futebol chinês e qual sua influência na economia chinesa.

 

A influência bilionária da iniciativa privada no futebol chinês

 

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Luiz Felipe Scolari, mais conhecido como Felipão, é o técnico do líder da Super Liga Chinesa, o Guangzhou Evergrande

 

Devido aos clubes da segunda maior economia do mundo serem comandados por empresas, os nomes dos times correspondem, pelo menos em partes, aos das empresas que os comandam, o que é muito diferente do Brasil, o qual tem em si uma tradição futebolística iniciada por vias populares. Este fato deriva do caráter imediatista e empresarial dessas transformações, propiciadas pela economia, na cultura.

O Guangzhou Evergrande Taobao, por exemplo, é comandado pelo Evergrande Real Estate Group e pelo Alibaba Group; o Shandong Luneng é comandado pelo Luneng Group, e assim por diante. Mas o Shanghai Shenhua, time de Carlos Tévez, é uma exceção a essa regra, por não levar em seu nome a marca linguística da empresa que o fundou e controla.

É a condução por essas empresas bilionárias, que atuam livremente, que possibilita os pagamentos de altos salários aos contratados pelos times e que torna o cenário do futebol chinês atraente para todo mundo, fazendo-o agregar profissionais competentes advindos de países culturalmente ligados ao futebol.

 

A influência estratégica da iniciativa estatal no futebol chinês

A República Popular da China aprovou um Projeto de Lei para desenvolver o futebol no país. O Plano de Desenvolvimento do Futebol Chinês, lançado pelo Comitê para a Reforma, que é uma das principais instituições do governo, foi idealizado pelo presidente Xi Jinping, incentivador do esporte no país. O plano implementou o futebol na grade curricular do ensino médio, determinou a construção de 20 mil campos de futebol por todo o país e internacionalizou suas relações com países engajados com esse esporte para que a China se integre a essa realidade.

Para não deixar o futebol chinês dependente de negociações e compras de jogadores estrangeiros, o plano adota medidas que visam desenvolver os jogadores nativos. Essas medidas são: a proibição de goleiros estrangeiros (apenas podem ser contratados jogadores estrangeiros de linha) e a obrigatoriedade de um titular chinês sub-23 nas equipes da Super Liga da China. Além disso, foi estabelecido  um limite quanto à presença de estrangeiros nos elencos e nos jogos: cada equipe pode ter no máximo cinco estrangeiros em seu elenco, mas, durante as partidas são permitidos apenas 3 estrangeiros em campo ao mesmo tempo.

Também, para enraizar a cultura futebolística na juventude, uma das novas exigências da Federação Chinesa, apresentadas no início de 2017, é a obrigatoriedade de que os clubes da Super Liga invistam pelo menos 15% nas categorias de base, mantendo em atividade suas equipes sub-15, sub-17 e sub-19. Desse modo, deve ser eliminada a dependência que as equipes têm, nesse primeiro momento, de jogadores e técnicos estrangeiros em suas composições e o futebol nacional deve ser aprimorado a princípio.

 

O ‘soft power’ exercido pelo futebol chinês

 

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O chamado “soft power” do futebol chinês despertou rapidamente a atenção de um grande público

 

Para o especialista britânico Mark Dreyer, dono da China Sports Insider, que se mudou para a China em 2007 para cobrir as Olimpíadas de Pequim, o chamado soft power” (a influência) do futebol chinês é um gesto de aproximação entre o público chinês e estrangeiro. “Além da necessidade de buscar outras maneiras de promover o crescimento, existe ainda um movimento populista, já que a China tem muitos fãs de futebol que há muito tempo lamentam o fato de a sua seleção nacional ser tão ruim”. Ele, ainda, julga que ocupar a 82ª posição no ranking mundial não combina com o “status” de segunda maior potência econômica do mundo,e, portanto, acredita que “ser bom em futebol mundialmente ajuda muito mais com o “soft power” do que várias medalhas de ouro em esportes considerados menores”.

 

Resultados rápidos, visíveis e incontestáveis

De acordo com o relatório anual de Sistema de Transformação de Mercado de 2016, que registrou 14.591 transações futebolísticas internacionais no valor total de R$ 14,9 bilhões (14,3% a mais que em 2015), a China trouxe uma contribuição equivalente a 1,4 bilhões de reais, ao passo que a Confederação Asiática investiu R$ 1,7 bilhões e ocupou o quinto lugar dos que mais gastaram em 2016. A China, portanto, ganhou destaque na lista, sendo, sozinha, a responsável por colocar a Confederação Asiática de Futebol na segunda posição, uma vez que a Europa sempre fica à frente de todos os outros continentes nesse quesito. Em 2016, assim como sempre, o futebol europeu dominou o mercado de jogadores com 82,1% das taxas de transferências de 2016, desbancando R$ 12,2 bilhões. No entanto, a conquista do segundo lugar já representa muito para a evolução do esporte chinês. Vale, ainda considerando o ano passado, consultar uma lista dos campeonatos que mais gastaram com jogadores, para concluir a análise.

 

Os campeonatos que mais gastaram com jogadores em 2016:

 

  1. Inglês: R$ 4,27 bilhões
  2. Alemão: R$ 1,79 bilhão
  3. Espanhol: R$ 1,58 bilhão
  4. Italiano: R$ 1,57 bilhão
  5. Chinês: R$ 1,4 bilhão
  6. Francês: R$ 647 milhões
  7. Português: R$ 555 milhões
  8. Russo: R$ 355 milhões
  9. Belga: R$ 310 milhões
  10. Brasileiro: R$ 265 milhões

 

Controle econômico e criação de uma tradição futebolística

A Associação Chinesa de Futebol, em 14 de julho deste ano, divulgou uma resolução que determina um teto de gastos para transferência de jogadores estrangeiros e chineses. O valor máximo que se poderá pagar por cada contratação de estrangeiro é de € 5,9 milhões (R$ 21,9 milhões), enquanto para contratações de jogadores chineses o valor é de € 2,6 milhões (R$ 9,7 milhões). Caso algum time faça uma contratação acima do teto, será multado com uma taxa que equivalente a 100% do valor gasto e o dinheiro será enviado à Fundação de Desenvolvimento do Futebol na China; Fundo de investimento para as categorias de base do país e conduzido pela Associação Chinesa de Futebol. A partir dessa decisão, os valores das transferências para o futebol chinês tendem a cair drasticamente. Com a taxação sobre os clubes devedores e o teto de gastos determinado, é bastante provável que os clubes cumpram os valores estipulados pela Federação.

 

futebol chinês

 

A medida se justifica pelo intuito de fomentar o futebol de base no país e a promoção de jovens atletas nos times titulares dos elencos profissionais. A Federação Chinesa, ligada ao governo central, quer acelerar a formação de atletas chineses para garantir presença na Copa de 2022 no Qatar. Vale observar que essa iniciativa também reduzirá a bolha inflacionária causada pelos investimentos bilionários concentrados em torno do futebol chinês. Então, o resultado desse processo servirá como um modo de controle econômico positivo que não compromete o crescimento a longo prazo da cultura futebolística chinesa e a consequente criação da tradição desse esporte no país.

 

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Por Rafael Queiroz

Fontes: China Link Trading; BBC; Esporte IG; China Brasil Futebol

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