O confucionismo, junto com o budismo, o xintoísmo, o taoísmo e outras religiões nativas, foi um dos grandes elementos formadores da tradicional cultura do leste asiático. Hoje vamos focar no confucionismo: um dos maiores sistemas filosóficos milenares da China! Leia mais logo abaixo.

 

Estátua de Confúcio

 

Fundamentos do confucionismo

As ideias pregadas no Confucionismo são bastante diferentes das encontradas nas religiões tradicionais do Ocidente. Na filosofia de Confúcio não há um Deus, uma unidade criadora e muito menos templos ou igrejas.

Sua doutrina fundamenta-se na busca pelo Tao, a harmonia da vida e do mundo. Para atingir o Tao, o Confucionismo coloca a família como base de uma sociedade em que todos os seres humanos vivem em harmonia. Esta família começa nos governantes, que devem amar o povo como verdadeiros pais, e termina nos súditos, que têm o dever de serem obedientes e humildes como filhos.

 

Ideograma que representa a ideia geral do confucionismo
Símbolo do confucionismo

 

Outra das características presentes no Confucionismo é o culto aos antepassados. Para Confúcio, os seres humanos são formados por quatro dimensões:

  1. O Eu
  2. A Comunidade
  3. A Natureza
  4. O Céu

Além disso, prega que os seres humanos têm que possuir cinco virtudes essenciais, que são:

  1. Amar o próximo
  2. Ser justo
  3. Ter comportamento adequado
  4. Ter consciência da vontade dos céus
  5. Cultivar a sabedoria e a sinceridade

O Confucionismo tem como objetivo fomentar a ordem do universo através do ordenamento das relações sociais. Segundo o Confucionismo, se as relações sociais estiverem equilibradas, o universo estará equilibrado e todos os seres viverão felizes e em harmonia. Nesse sentido, o Confucionismo procura disciplinar todo tipo de relação social: a relação entre pai e filho, entre irmãos mais velhos e irmãos mais novos, entre cônjuges, entre governantes e governados, entre antepassados e descendentes, entre patrões e empregados, entre superiores e subalternos, entre amigos, entre professores e alunos e entre o céu (a divindade máxima) e os demais seres do universo.

À exceção da relação entre amigos, todas as demais relações seriam fundamentadas no princípio da hierarquia, onde um dos elementos seria superior e outro elemento seria inferior. Por exemplo, o pai seria superior ao filho, o marido seria superior à esposa, o filho mais velho seria superior ao filho mais novo, o governante seria superior ao governado, o antepassado seria superior ao descendente e o céu seria superior a todos. Entre amigos, a relação seria de igualdade. Dentro da relação confuciana ideal, o elemento superior deve se preocupar em garantir o bem-estar do elemento inferior e este, em troca, deve obedecer e respeitar o elemento superior.

 

Quem foi Confúcio?

 

Representação de Confúcio em pintura
Representação de Confúcio

 

Confúcio (palavra latinizada derivada do termo chinês para “mestre Kong”) nasceu em 551 a.C., na cidade de Tsou (atual cidade de Qufu), no Estado de Lu (atual província chinesa de Shandong). Confúcio exerceu diversas profissões ao longo de sua vida, como pastor de animais e bibliotecário. Viajou por diversos reinos chineses e, ao longo da vida, foi formulando ideias sobre como deveriam se comportar as pessoas para que houvesse harmonia em suas vidas e na sociedade. Procurou aconselhar os governantes dos diversos reinos chineses. Reuniu cinco livros clássicos do pensamento chinês (Documentos ou Shu chingRitos ou Li chingVersos ou Shih chingMutações ou I ching e Anais da primavera e outono ou Chun-chiu) e os oficializou como material de estudo de seus discípulos. Esses discípulos continuaram difundindo as ideias de Confúcio após a morte deste em 479 a.C.

Após a morte de Confúcio, seus seguidores reuniram os pensamentos do seu mestre no Lún Yu, título que costuma ser traduzido como “Analectos” ou “Diálogos”. O mais famoso dos seguidores de Confúcio foi Mêncio, que nasceu em 370 a.C. Assim como Confúcio, Mêncio viajou pela China procurando orientar os governantes sobre a melhor maneira de governar. As suas conversas com os reis chineses ficaram registradas no livro que levou seu nome e que se tornou um dos quatro livros introdutórios ao pensamento confuciano, junto com os Analectos, O grande aprendizado e A doutrina do significado (ou A doutrina do meio).

 

A história do confucionismo

 

Não só aceito, mas também instrumentalizado como ferramenta de soft power, o confucionismo é bem visto na China contemporânea
Atualmente o confucionismo é aceito pelo Governo Chinês

 

O confucionismo é uma religião que se originou na China no século VI a.C., a partir da doutrina pregada pelo filósofo Confúcio.

Por volta de 200 a.C., o Estado chinês havia emergido de uma federação livre de estados feudais do período dos Reinos Combatentes para o império unificado com o domínio patrimonial. O confucionismo emergiu para dominar as outras escolas filosóficas que se desenvolveram nos férteis levantes sociais da China pré-imperial, como o taoísmo, o moisismo e o legalismo, todos os quais haviam criticado o confucionismo (c. 400-c. 200 a.C.). Um dos discípulos de Confúcio, Mêncio, (c. 372-c. 289 a.C.) desenvolveu uma versão mais idealista do confucionismo, enquanto Xunzi (Hsün Tzu, c.313-c.238 a.C.) argumentou que todas as inclinações são moldadas pela linguagem adquirida e outras formas sociais.

No século III a.C., com o advento da dinastia Han, o Confucionismo tornou-se a religião oficial do governo, chegando à posição de uma ortodoxia oficial e sendo matéria básica para a formação e a seleção dos funcionários públicos, os chamados mandarins. Através da influência da cultura chinesa no leste asiático, a ideologia confucionista se espalhou pelos países da região, como o Japão, a Coreia e o Vietnã.

Quando a dinastia Han caiu, o Confucionismo caiu com ele e ficou adormecido por quase 400 anos (220-618 d.C.), enquanto o budismo chinês e o taoísmo ofereciam novas visões. A China foi novamente unificada pela dinastia Tang (618-906). Durante a dinastia Song (Sung) (960–1279), o neoconfucionismo floresceu – interpretando a doutrina confucionista clássica de uma forma que abordava questões budistas e taoístas. No século XII, o filósofo Zhu Xi comentou os quatro livros confucianos e se tornou o principal nome da escola neoconfucionista. Na dinastia Ming (1368–1644), Wang Yangming, outro relevante pensador confucionista trouxe inovação quando afirmou que a mente projeta li (princípio) nas coisas, em vez de apenas observar li externo.

Em 1912, com a proclamação da República da China por Sun-Yat-Sen, o país abandonou a doutrina confucionista como religião oficial do Estado chinês. Após a ascensão do maoismo com a Revolução Chinesa de 1949, os intelectuais chineses do século XX responsabilizaram o confucionismo pelo atraso científico e político da China, após os conflitos desastrosos com a tecnologia militar ocidental no início da era moderna. Não bastassem as oposições dos governos modernos ao confucionismo, ainda ocorreu uma avassaladora influência da cultura ocidental sobre a China no século XX. O confucionismo declinou novamente, durante esse período. Entretanto, após a morte de Mao Tsé-Tung, o Partido Comunista Chinês, hoje sob a liderança do presidente Xi Jinping, aceita mais variações de pensamento e abdicou parcialmente da radicalização ideológica no campo social. Desse modo, o confucionismo é visto como um patrimônio histórico e cultural da China.

A decadência do comunismo no mundo após a queda do muro de Berlim (em 1989) gerou a necessidade de uma nova referência cultural para a China comunista. O confucionismo parece preencher essa necessidade chinesa de referência espiritual. Ao mesmo tempo, o surgimento da China como potência mundial do século XXI fomentou o aumento do interesse dos países do mundo pela cultura chinesa. E, consequentemente, um aumento de interesse pelo confucionismo, um dos pilares da cultura chinesa.

Inclusive, hoje, a China tem diversos Institutos Confúcio ao redor de todo o planeta. O nome, claramente, homenageia o filósofo tradicionalista e indica que seu pensamento não mais é rejeitado. O Instituto Confúcio é uma organização governamental que promove a cultura chinesa através do ensino do mandarim. Os materiais não focam só no ensino da língua; têm notas culturais em todos os capítulos. E, além disso, o Instituto patrocina grandes eventos mundiais, como o Festival das Lanternas.

 

Ortodoxia confucionista

 

Estátua de Confúcio
Estátua de Confúcio

 

A civilização chinesa não tinha profecia religiosa, nem uma poderosa classe social do sacerdócio. Aceitando que havia um imperador, ele era o sumo sacerdote da religião do Estado e o governante supremo. O confucionismo tolerava a existência simultânea de muitos cultos populares e não fazia nenhum esforço para organizá-los como parte de uma doutrina religiosa, enquanto ainda assim restringia as ambições políticas de seus sacerdotes. Em vez disso, ensinou ajuste ao mundo.

Isso forma um contraste agudo com a Europa medieval, onde a Igreja freqüentemente era capaz de sobrepor sua vontade sobre as dos governantes seculares, e onde a mesma religião singular era a religião dos governantes, da nobreza e do povo comum.

De acordo com o confucionismo, a adoração de grandes divindades era assunto do Estado, a adoração ancestral é exigida de todos e uma multidão de cultos populares é tolerável. O confucionismo tolerava a magia e o misticismo, desde que fossem ferramentas úteis para manter a estabilidade política. Outra qualidade notável era evitar tanto o êxtase irracional quanto a excitação, bem como a contemplação mística e a especulação metafísica.

 

Para encerrar o post, o vídeo abaixo sintetiza muito bem e de forma clara o confucionismo:

 

 

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Por Rafael Queiroz Alves

Fontes: A Religião da China – Confucionismo e Taoísmo, Os analectos, WikiBooks, Estadão, Info Escola

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