O Tibete é uma região autônoma pertencente à República Popular da China. O território está localizado no planalto da Ásia, ao norte da cordilheira do Himalaia, ocupa uma grande parte do centro oeste da China, e é chamado por muitos de “teto do mundo”, devido à elevada altitude média (a capital, Lhasa, tem altitude média de 3.658 metros e é considerada a cidade com a quinta maior altitude do mundo). Conheça abaixo os principais pontos turísticos tibetanos e um pouco da cultura da região.

 

pontos turísticos tibetanos
Monges tibetanos representam a cultura e a identidade da região

 

Lhasa: o lugar dos deuses

Lhasa, ou em tibetano, ལྷ་ས, significa “lugar dos deuses” e é o centro político (capital) e religioso da região autônoma do Tibete. A viagem até Lhasa, no centro da Região Autônoma do Tibete, pode ser feita de trem – uma viagem de 2 a 3 dias -, de carro ou ônibus a partir de Kathmandu ou de avião.

Ao chegar, é recomendado um descanso de pelo menos por 1 ou 2 dias. A “doença da altitude” (distúrbio causado pela falta de oxigênio em altitudes elevadas, causando dores de cabeça) pode se manifestar a partir de 2.700 metros e, portanto, o ideal é fazer tudo bem devagar, com muita calma. Também é recomendado beber bastante água, de 3 a 5 litros por dia, e um ótimo – e valioso – conselho é comprar uma lata de oxigênio logo na chegada a Lhasa – vendida por toda a cidade -, e carregar com você. O oxigênio é o melhor remédio pra altitude, embora haja quem opte também por tomar remédios indicados para altitudes elevadas.

 

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O Palácio de Potala é muito prestigiado pelos turistas que visitam o Tibete

A partir do lugar dos deuses pode-se visitar diversos antigos mosteiros mas, principalmente, um dos mais famosos pontos turísticos tibetanos: o Conjunto Histórico do Palácio de Potala. O Palácio foi usado para refúgio de meditação pelo Rei Songtsen Gampo, que construiu, em 637, o primeiro palácio como saudação à sua noiva, a Princesa Wen Cheng da Dinastia Tang da China. A construção do atual palácio começou em 1645, durante o reinado do quinto Dalai Lama. Foi a principal residência do Dalai Lama até a transferência do 14º Dalai Lama para a Índia em 1959. Atualmente o Palácio é um museu estadual da China e é um Patrimônio Mundial da UNESCO.

Falando em Patrimônios Mundiais da UNESCO, a China Vistos tem um outro artigo sobre os dois territórios chineses que entraram para a lista de Patrimônios em 2017 e, entre eles, consta um outro território tibetano: Hoh Xil. Informe-se mais sobre e conheça mais um dos grandes pontos turísticos tibetanos. Leia mais aqui.

A China Vistos tem dois artigos exclusivos que falam sobre os demais patrimônios chineses. Você pode conferir o primeiro clicando aqui e o segundo clicando aqui.

 

O mais importante dos pontos turísticos tibetanos: Monte Everest

 

 

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Turistas realizam trilha até o topo do Everest

 

O Monte Everest, ཇོ་མོ་གླང་མ ou Qomolanga, que em tibetano significa “mãe do mundo”, é o pico mais alto do planeta, 8.848 metros acima do nível do mar, e o pico da cordilheira do Himalaia, cadeia de montanhas que atravessa cinco países: Butão, Índia, Nepal, China e Paquistão. Essa região é considerada por muitos como o teto do mundo. Trata-se do maior complexo montanhoso do mundo.

Há dois campos base para visitar esse ponto turístico e eles ficam em lados opostos do monte Everest: o Acampamento Base Sul está no Nepal, a uma altitude de 5.364 metros (28° 0′ N 86° 51′ E), e o Acampamento Base Norte é no Tibete em 5.150 metros. O que nos interessa, já que estamos falando sobre como chegar no local a partir da China, é o segundo. O “Acampamento Base” para os turistas está localizado a meio caminho entre o Mosteiro de Rongbuk e o real acampamento base dos alpinistas ao pé da Glaciar Rongbuk.

Para chegar no acampamento base do Everest, deve-se passar por Shigatse, realizando uma viagem de carro que pode durar horas. É necessário fazê-lo junto com um guia e um motorista especializados em turismo. Esse é o preço a pagar para atingir o teto ou ou topo do mundo, a mais de 5.000 metros de altitude. Ao chegar no acampamento, o viajante encontra-se numa das maiores altitudes que um ser humano pode chegar e, contudo, num local frio e nevado que propicia uma das vistas mais excêntricas e deslumbrantes que pode-se ter em uma vida.

 

Como chegar nos pontos turísticos tibetanos?

Embora o território tibetano seja considerado “autônomo”, de acordo com a divisão política chinesa, é necessária uma autorização governamental para ir para lá. A denominação “autônomo” deriva dos quatro tipos de divisões administrativas da China: províncias, regiões autônomas (é o caso do Tibete), cidades administrativas e zonas administrativas especiais.

A China Vistos tem um artigo exclusivo que explica essa divisão perfeitamente. Você pode consultá-lo clicando aqui.

Mesmo com certas particularidades, qualquer território enquadrado em uma dessas quatro classificações ainda pertence à República Popular da China e, portanto, já que o Tibete se enquadra na segunda, também é considerado como propriedade da China. Sendo assim, a primeira coisa que você terá que fazer para ir ao Tibete é obter seu visto e toda a documentação necessária com a China Vistos. Depois, deverá procurar uma agência tibetana e, pronto, já estará livre para visitar este grandioso ponto turístico! Mas lembre-se de um detalhe importante: como não existe voo direto do Brasil, você terá que ir para o Tibete voando de alguma parte da China (é possível ir de trem também).

 

A história do tibete e o budismo caminham juntos

 

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Representação cultural do líder histórico Songtsen Gampo

 

Antes de visitar os grandiosos pontos turísticos tibetanos é interessante conhecer um pouco da história e da cultura local. Quando fala-se sobre a história do Tibete é impossível não falar, ao mesmo tempo, sobre o budismo tibetano. Ambos sempre estiveram relacionados e, por isso, se desenvolveram juntos a partir de interações mútuas. Até hoje o budismo é o componente central da região. Por isso, para explicar a história tibetana e a do budismo tibetano, deve-se considerar que são uma só coisa, pois a presença desta doutrina é quase constante.

As primeiras civilizações formadas no Tibete datam de tempos milenares: têm pouco mais de 2.000 anos (as ocupações humanas no local, no entanto, datam de de dez mil anos antes de Cristo). Porém, essas habitações constituem apenas a pré-história da região. A história tibetana registrada se desenvolve principalmente com base na influência do budismo.

Os registros históricos do Tibete começam aproximadamente cem anos antes de Cristo, quando o rei Nyakhri Tsampo estabeleceu uma dinastia militar no Vale Yarlung e passou a comandar o Tibete, permanecendo lá por aproximadamente oitocentos anos. Essa dinastia, que investia fortemente em poder bélico, tinha uma postura expansionista e, por isso, essas centenas de anos foram marcadas por ataques do Tibete aos seus vizinhos.

 

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Quando o trigésimo terceiro rei tibetano, Songtsen Gampo (o mesmo que mandou construírem o já referido Palácio de Potala, isto é, um dos maiores pontos turísticos tibetanos), entrou no poder, adotou uma postura mais pacifista e rompeu com esta política militarista. O rei Songtsen Gampo deixou um enorme legado: criou o alfabeto tibetano; escreveu e estabeleceu o sistema legal tibetano (baseado no princípio moral no qual se preza a proteção do meio ambiente e da natureza); favoreceu a liberdade da prática do budismo; e construiu vários templos (dentre eles o Jokhang e o Ramoche). Com este rei no poder, o Tibete atingiu seu ápice político e cultural, conquistando expansão máxima, chegando a ter 40 milhões de habitantes, expandindo fronteiras até chegar no território chinês, entrando em contato não só com este país, mas também com a Índia, estabelecendo relações internacionais com ambos e conhecendo o Budismo Mahayana (na realidade, os contatos com a China e com a Índia se devem às duas esposas budistas do rei). Desse modo, expandiu a cultura tibetana, enviando, por exemplo, muitos estudantes para a Índia.

O iogue indiano Padmasambhava (que significa “nascido de lótus”), também conhecido como Guru Rinpoche (Mestre Precioso), é a segunda grande figura que representa a introdução do budismo no Tibete. Ele chegou no Tibete no ano 747, convidado pelo império para ensinar a filosofia budista na região. Padmasambhava, contudo, organizou o budismo tibetano e fundou a escola hoje conhecida como Nyingma (ou “escola da tradição antiga” – título justificado por conta das posteriores escolas estabelecidas por outros professores). Somando seus esforços com os de Gampo, conclui-se que graças a ambos o budismo foi introduzido e difundido no Tibete. Por isso, os tibetanos o consideram como “o segundo Buda”, isto é, o sucessor de Sidarta Gautama. Tardiamente, após Gampo sair do poder, o Mestre Precioso ainda trabalhou com o trigésimo sétimo rei do Tibete, Trisong Detsen. Eles construíram templos como o Jokhang ou Ramoche (ambas em Lhasa, nova capital tibetana), bem como numerosos mosteiros.

 

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Passados esses tempos de glória, o Império Tibetano, que havia atingido uma grande extensão territorial, perdeu o controle (seu apogeu foi durante o governo de Rapalcan, no século IX, quando o Tibete continha em si boa parte da Mongólia e alcançava ao sul o Golfo de Bengala). Diversos conflitos políticos se desencadearam devido à uma disputa pelo poder nas partes do império. A dificuldade de transporte de tropas por causa das montanhas que constituem a geografia local, a rebeldia dos territórios conquistados em relação ao governo central e os conflitos religiosos levaram o Império a uma crise e, assim, à divisão – condição que foi mantida de 842 até 1247. O imperador Langdarma morreu sem escolher um herdeiro, o que desorganizou o Tibete e levou-o a uma guerra civil que marcou a divisão. Diante disso, dois herdeiros passaram a controlar o território então dividido: Ösung assumiu a administração da região de Lhasa (capital atual do Tibete) e Yumtän ficou com Yalung. E foi nesse momento que certos monges migraram para o nordeste da região para pregar o budismo. A partir destes acontecimentos, nos séculos seguintes, o budismo expandiu sua influência e foram construídos novos monastérios.

 

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Outros períodos conturbados sucederam a história tibetana. Primeiro, o Tibete teve relações com a Mongólia e foi anexado pelo império de Genghis Khan, no começo do século XIII. Depois, mais tarde, sofreu influências europeias, no século XVII, a partir de um contato inicial com missionários portugueses liderados por António de Andrade. O Tibete, entretanto, resistiu a essas influências, sempre lutando por afirmação cultural e política e tentando expulsar qualquer estrangeiro de seu território. Muitos europeus foram expulsos e banidos do país pois, até o século XIX, cada potência do continente era suspeita de ter intenções de ocupar e dominar a região. Isso levou à proibição de todos os estrangeiros e ao completo fechamento de fronteiras. Mesmo assim, depois disso, a Grã-Bretanha ainda enviou espiões disfarçados de peregrinos e comerciantes para investigar e estudar o território, o que levou à realização da expedição britânica no Tibete (de 1904 a 1911), que culminou no tratado anglo-tibetano. Nesse contexto, posteriormente, o local teve mais conflitos tanto com o Ocidente como com o Oriente, inclusive no período que marcou a Guerra Fria (vide a Revolta do Tibete em 1959), até que, finalmente, se estabilizou.

Passado o tempo de resistência, a República Popular da China estabeleceu subdivisões autônomas tibetanas na antiga província tibetana de Kham, U-Thang e Amdo. Há treze subdivisões: uma região autônoma, dez prefeituras e dois municípios. Em 1965, durante o estabelecimento formal da Região Autônoma do Tibete da República Popular da China, o Kham Ocidental (região de Chamdo) é ligada à Ü-Tsang para formar a Região Autônoma do Tibete de hoje. Suas fronteiras coincidem aproximadamente com as da região que era controlada por Lhasa no momento da Dinastia Qing e da República da China.

 

As representações cinematográficas do Tibete

Antes de viajar para os pontos turísticos tibetanos, caso você deseje se aprofundar melhor na cultura da região, é interessante assistir a alguns filmes a respeito. Há três renomadas ficções cinematográficas que são dignas de nota: duas delas levam o título Samsara (têm o mesmo nome) e a outra, Sete Anos no Tibete, por ser hollywoodiana, você provavelmente já deve ter ouvido falar. E adivinhe onde todas se passam? No principal dos pontos turísticos tibetanos: As cordilheiras do Himalaia! Veja abaixo os trailers de cada filme:

 

Samsara (de 2001):

 

Samsara (de 2011):

 

Sete Anos no Tibet:

 

Falando nesse assunto, desviando um pouco do tema sobre os pontos turísticos tibetanos, vale lembrar que a China Vistos tem um artigo exclusivo sobre o crescimento do mercado audiovisual chinês e você pode conferir mais sobre o tema clicando aqui.

 

E aí? Ficou a fim de visitar os grandes pontos turísticos tibetanos? Pois bem, esta é realmente uma das regiões mais interessantes do mundo e é por isso que é bastante válido cogitar passar uns dias das suas iminentes férias por lá. Pegue seu visto chinês e se prepare para a viagem!

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Por Rafael Queiroz

Fontes: UNESCO, Tô Pensando em Viajar, Expressinha, Infoescola, Alma de Viajante

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